Uma das grandes vantagens de trabalhar com clientes internacionais é que, em muitos casos, pode faturar sem IVA. Mas as regras são precisas e um erro gera problemas com a Agência Tributária espanhola (Hacienda). Este guia explica quando pode faturar sem IVA a clientes estrangeiros e como fazê-lo corretamente.
A regra geral: onde se localiza o serviço
O IVA dos serviços depende do local onde se considera que são prestados, segundo as regras de localização. Para serviços entre empresas (B2B), a regra geral é que o serviço se localiza onde está o cliente. Isto significa que, se o seu cliente for uma empresa fora de Espanha, em muitos casos a fatura não leva IVA espanhol.
Clientes empresariais fora da União Europeia
Se faturar um serviço a uma empresa estabelecida fora da UE (por exemplo, nos Estados Unidos ou no Reino Unido), a operação não está sujeita a IVA espanhol. Emite a fatura sem IVA, indicando que a operação não está sujeita por força das regras de localização de serviços. É o caso mais limpo e habitual para quem fatura em dólares a clientes americanos.
Clientes empresariais dentro da UE: o mecanismo de inversão do sujeito passivo
Se o seu cliente for uma empresa de outro país da UE com número de IVA intracomunitário válido (registado no VIES), aplica a inversão do sujeito passivo: fatura sem IVA e é o cliente que o autoliquida no seu país. Deve verificar o número do cliente no VIES e declarar a operação no Modelo 349 espanhol.
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Atenção: clientes particulares (B2C)
Aqui tudo muda. Se o seu cliente for um consumidor final (particular), as regras são diferentes e muitas vezes tem mesmo de liquidar IVA, sobretudo em serviços digitais dentro da UE. Não pode assumir que, por ser estrangeiro, a fatura não leva IVA: depende de ser empresa ou particular e de onde se encontra. Confundir B2B com B2C é um dos erros mais caros.
| Cliente | IVA na fatura? |
|---|---|
| Empresa fora da UE | Não sujeita (sem IVA) |
| Empresa na UE (com VIES) | Sem IVA (inversão do sujeito passivo) |
| Particular na UE (serviço digital) | Sim, IVA do país do cliente |
| Particular fora da UE | Geralmente não sujeita |
A importância de documentar bem
Faturar sem IVA exige justificar porquê. Guarde provas de que o seu cliente é uma empresa (o número de IVA, o registo), verifique o VIES quando aplicável e reflita corretamente as operações nos modelos 303 e 349. Uma fatura sem IVA mal justificada é um convite a uma verificação da Hacienda.
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Perguntas frequentes
Sim. Os serviços prestados a empresas estabelecidas fora da UE não estão sujeitos a IVA espanhol. Emite a fatura sem IVA, indicando que não está sujeita por força das regras de localização.
Aplica a inversão do sujeito passivo: fatura sem IVA e o cliente autoliquida-o no seu país. Deve verificar o número de IVA do cliente no VIES e declarar a operação no Modelo 349.
Depende. Nos serviços digitais a particulares na UE, normalmente tem mesmo de liquidar o IVA do país do cliente. Para particulares fora da UE, a operação costuma não estar sujeita. Não é automático: depende do caso.
A Agência Tributária espanhola (Hacienda) pode exigir-lhe o IVA não liquidado, acrescido de juros e coimas. Por isso, é essencial justificar cada fatura sem IVA e refletir as operações nos modelos 303 e 349.
Foto de Kelly Sikkema não Unsplash